A inflação está por todos os lados, todo mundo sente os efeitos, mas pouca gente sabe que a inflação é um imposto oculto. É uma forma de governos arrecadarem mais dinheiro sem parecer que estão fazendo isso.

O primeiro passo para entender a causa da inflação é reconhecer que ela é um fenômeno monetário. É o resultado de um aumento rápido na quantidade de dinheiro circulante. Dinheiro, assim como qualquer produto, ativo ou bem que tinha um preço está sujeito às leis da oferta e demanda. Se existem unidades limitadas de um produto e a demanda aumentar, esse produto tende a ficar mais caro. Agora, se o número de unidades aumentar mas a demanda seguir a mesma ou cair, o produto começa a perder valor, ele tende a se desvalorizar. O mesmo acontece com o dinheiro, se a demanda por dinheiro é a mesma mas a quantidade de notas ou unidades aumenta, o dinheiro tende a se desvalorizar.

Os governos controlam a quantidade de dinheiro a ser emitida, a inflação no Brasil é reflexo das políticas monetárias do Bacen, do Banco Central Brasileiro. Os políticos e economistas costumam dizer que a inflação é produzida por empresários gananciosos, por grupos, por razões externas ou até mesmo por um produto específico.

Sim, os empresários são gananciosos, assim como a maioria das pessoas é. Situações adversas acontecem o tempo todo e produtos específicos podem subir de preço momentaneamente se eles se tornarem mais escassos.  Como bem dizia Milton Friedman: nem empresários, nem as pessoas e nem situações adversas  podem produzir inflação monetária sozinhas, porque ninguém tem o poder de imprimir dinheiro. Somente o Bacen, os bancos centrais, tem a impressora e podem produzir inflação monetária.

“A inflação é sempre e em toda parte um fenômeno monetário, no sentido de que é e pode ser produzida apenas por um aumento mais rápido na quantidade de dinheiro do que na produção.” - Milton Friedman

É o que eles tem feito globalmente. Brasil, EUA, Europa e a maioria dos bancos centrais imprime dinheiro para financiar suas despesas e troca por títulos. A imagem abaixo mostra como os Bancos Centrais dos EUA (USCBBS), Japão (JPCBBS), Europa (EUCBBS) e Brasil (BRBBS) expandiram seus balanços apoiados em suas impressoras.

Fonte: TradingView

Inflação generalizada de diversos produtos e serviços na economia é um evento monetário, reflexo do aumento da oferta de dinheiro circulante. Independente de direita ou esquerda, ambos os lados da política usam as mesmas ferramentas para financiar seus mandatos e acabam criando inflação.

A Venezuela está sofrendo com a inflação há anos, porque expandiu sua oferta monetária, e é governada por líderes de esquerda. Aqui no Brasil, a direita está no poder a gente também observa grande disparada da inflação e expansão monetária. Na Alemanha o governo é centrista e a inflação também está batendo recorder por lá porque o banco central europeu expandiu base monetária. Por isso, essa não é uma crítica a lados políticos aqui, direita e esquerda, todos eles fazem a mesma coisa quando estão no poder. Só muda o rótulo porque o conteúdo e as linhas de atuação são basicamente as mesmas: não abrem mão de ter a impressora a postos.

Mas tem uma informação que pouca gente sabe. A inflação é uma forma de tributação ou imposto. Isso acontece de três formas maneiras:

  1. A primeira é quando o governo gasta mais do que arrecada em impostos e ele compensa essa diferença imprimindo dinheiro, ou criando digitalmente num computador. Ter uma impressora de dinheiro em casa e pagar os boletos criando dinheiro do nada resolveria o problema de qualquer pessoa, não? Pois é assim que governos fazem, lucrando com as impressoras e ignorando as consequências. Esse lucro com a impressão de dinheiro é chamado de senhoriagem.
  2. A segunda forma que a inflação é um tipo de imposto acontece na hora da arrecadação do imposto de renda. Digamos que os preços subam 10% e sua renda suba 10%. Você acha que está na mesma posição, mas não está, Você é empurrado para uma faixa de renda mais alta na hora de declarar seu IR. Nesse tipo de situação os preços e seu salário subiram 10% para tentar compensar a inflação, mas os impostos que você paga podem aumentar em 5%.

Aí vem aquelas noticias que demonstram tudo isso, as tabelas de enquadramento de imposto de renda estão sempre desatualizadas propositalmente.

Fonte: G1 


Isso aumenta a arrecadação tributária. Quer dizer que nominalmente parece que você está ganhando mais, recebe valores maiores, seu poder de compra não aumentou porque a inflação também aumentou, mas você paga mais imposto como se estivesse ganhando muito mais!

Hoje no Brasil o número de pessoas que estaria isento do pagamento do Imposto de Renda quase triplicaria caso a tabela fosse corrigida pela inflação acumulada desde 1996. A faixa de isenção subiria para os que ganham menos de R$ 4.465,35, de acordo com levantamento da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco). Atualmente, paga IR quem ganha mais de R$ 1.903,98 mensais, menos que dois salários mínimos. Apenas 8,2 milhões de pessoas não pagam IR porque têm rendimentos abaixo desse valor, que não sofre correção há anos.

Esse número saltaria para 23 milhões de brasileiros, caso a faixa de isenção fosse ajustada pela inflação. Essa defasagem supera 134% de correspondente à inflação acumulada entre 1996 e 2021.

Então percebe que isso é uma política de Estado. Todos, independente do partido, deixam pra lá esse reajuste porque é muito conveniente imprimir dinheiro, gerar inflação, aumentar a arrecadação e depois fazer corpo mole pra reajustar.

O grande problema é que a maioria das pessoas ainda está inconsciente desse círculo vicioso de impressão de dinheiro, destruição de poder de compra e ainda maior arrecadação provocada por essa distorção!

3. A terceira forma como os governos lucram com a impressão de dinheiro é emitindo dívida, títulos. As pessoas emprestam dinheiro para governos que emitem um título de dívida em um valor "x" que irá pagar uma taxa de juros e uma data de pagamento pré-acordada. A questão é que quando a pessoa pegar o valor emprestado e os juros eles já estão defasados pela inflação. A taxa de juros pré-acordada e o valor emprestado terão sido destruídos em poder de compra, derretendo o lucro real de quem empresta.

Por exemplo, o tesouro Selic pagou 4,42% em 2021, mas a inflação foi de 10,2%, uma rentabilidade real negativa de -5,8%. Isso quer dizer que tanto o valor aportado quanto os 10% recebidos derreteram de poder de compra. Isso é reflexo da expansão monetária de mais de 50% da oferta de reais desde 2020 mais a manutenção de juros excessivamente baixos nesse período. Essa manipulação nas duas pontas criação de dinheiro e taxas de juros (oferta e demanda) é o que causa essas grandes distorções no sistema fiat.

TradingView

Portanto, a inflação é um recurso maravilhoso para governos porque eles se beneficiam imprimindo dinheiro pra pagar as próprias contas, arrecadando ainda mais ao não atualizar as tabelas de arrecadação e gerando dívida com investidores que terão sua rentabilidade diluída pela própria impressora, o valor recebido ao final do título não terá mais o mesmo poder de compra que no início do contrato podendo até ter retornos negativos.

Será por isso que Biden considera a inflação um ótimo ATIVO?

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Fonte: Bloomberg

Ativo para burocratas, passivo para a população...

E as pessoas acham que a inflação é fácil de vencer! É uma areia movediça financeira, uma distorção da realidade, um buraco negro que puxa valor o tempo todo da nossa carteira, salários, investimentos e negócios. É por isso que governos gostam tanto de terceirizar a culpa. Para tirar o foco do que realmente importa. Culpam o outro partido político, outros países, setores da indústria, empresários, milhares de razões externas a eles. Mas a culpa é sempre de quem aperta o botão da impressora.

A cura para a inflação é apoiada em duas ações: reduzir gastos do governo e aposentar a impressora. Só que o grande problema é haver vontade política pra isso. É muito conveniente ter a possibilidade de imprimir dinheiro para "resolver" os problemas e deixar as consequências pro próximo a assumir o mandato ou para as próximas gerações.

Em economia as coisas acontecem devagar. É por isso que, em média, o aumento na oferta monetária leva cinco ou seis meses para afetar as pessoas e 12-18 meses para que isso apareça nos preços nas prateleiras. A gente consegue ver claramente de 2020 pra cá quando o governo brasileiro aumentou em 50% o dinheiro circulante e de lá pra cá a inflação foi para dois dígitos. A mesma coisa aconteceu com o banco central americano, europeu e vários outros que também expandiram o volume de dinheiro circulante e agora a inflação está atingindo o mundo todo.

Por mais que Bitcoin tenha caído 60% desde a sua máxima histórica de novembro de 2021, inclusive a baixo da sua máxima histórica de 2017, ele tem sido o ativo com melhor ROI e melhor risco retorno não só na última década como nos últimos 5 anos quando comparado com ativos tradicionais.

Fonte: CaseBitcoin.com

Bitcoin pode ajudar populações inteiras a não ficarem suscetíveis às impressoras de dinheiro porque não permite inflação monetária. Ninguém pode expandir o número de moedas a benefício próprio, penalizando o restante dos usuários. Marca o início de um novo sistema financeiro mais justo e que descorrelaciona seus fundamentos dos cubos de gelo que são as moedas fiat.

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